segunda-feira, 3 de maio de 2010
TIM (011)82101199
Nunca forneça dados por telefone, bem como jamais confirme estes dados, mesmo que a pessoa informe seu nome, CPF ou linha.
Operadora que liga de celular?! Ha ha ha... só rindo :(
domingo, 4 de abril de 2010
A Escrava Isaura - Bernardo Guimarães
Raro são aqueles que não conhecem o infortúnio da "Escrava Isaura". Bela & Desejada por muitos, apresentava um grande paradoxo com seus pares: tinha pele branca. Pois, sendo filha de uma mulata e de um homem branco, acabara suplantando o genótipo dos traços circassianos. Daí seu infortúnio: ser escrava branca, quando a única condição permitida por lei à servidão compulsória e não reconhecimento de seus direitos à personalidade era ser justamente "negro". Pelo visto a antinomia "filho de escravo, escravo é" foi fatalmente superior ao critério hierárquico "só negros podem ser escravos". Dessa forma, por ser uma exceção ao princípio permissivo da escravidão racial, Isaura é uma escrava branca.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Gnosticismo
Mas também é engraçado pensar numa religião, que não é religião. Não há teto, não há chão, não templo, não há sermão. Somente duas pessoas...
Um pupilo
e Um Mestre.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Série "Parece Ruim.. Mas é Bom" Capítulo I - King for a Day... Fool for a Lifetime
Muitos dizem que é o pior da carreira do conjunto. Não discordo. Porém, por uma razão que até hoje não consegui compreender, é o CD do FNM que mais rodou no meu Player (?!).
Apesar da gravação tosca, poucos inspiradas e do afastamento criativo do tecladista Roddy Bottum, KFDFFL traz um sabor diferente a cada canção, uma métrica exótica e temas intrigantes.
Por não conter "hits", é difícil de enjoar. cada vez que se ouve, descobre-se um som singular, uma passagem não percebida, em suma, é para ser digerido aos poucos.
One-by-One:
A primeira canção "Get Out", composta por Patton, confessa tacitamente o tédio de ir adiante com uma banda sem rumo. É basicamente rock, bastante agradável.
Ricochet, que se segue, teve até videoclipe com baixíssima rotação. Todavia, é bem legal porque cria uma clima de música "fácil" verso-refrão-verso, mas sem explodir. O clímax nunca vem e isso torna apetitosa sua audição. Às vezes é bom ser contrariado.
Uma grata surpresa é a estranha "Evidence". A pérola aqui é o acompanhamento que o guitarrista Spruance faz com o piano de Bottum, tocando ambos exatamente as mesmas notas. O clima soturno da canção gerou um bizarro videoclipe. Ótima pra motéis.
"The Gentle Art of Making Enemies" talvez seja a mais pesada. Bastante simples, provavelmente quem conhece bem a história da banda perceba a tentativa de Patton de transformar o FNH num novo Mr. Bungle. Não conseguiu, contudo deixou uma ótima música.
"Star After Death" é uma bizarra canção estilo standards do jazz. Particularmente gosto, pela quebra do clima que dá ao disco.
"Cuckoo for Caca" talvez seja a melhor das faixas. Patton explora bastante os vocais guturais bem acompanhado pelo baixista Billy Gould. Acho que jamais tocaria nas rádios (por isso é bom!).
"Caralho Voador", assim mesmo em português, é uma divertida tentativa de tocar bossanova. Não conseguiram, nem mesmo as frases em português são bem proferidas, porém dá pra se divertir: "eu não posso dirigir / e agora aparece / meu dedo enterrado / no meu nariz" Dá pra entender?
"Ugly in the Morning", apesar de ser um autoplágio de Cuckoo for Caca, é a última música "estranha". O destaque fica só pela bateria Mike Bordin (hoje na banda do Ozzy). Gosto dos falsetes.
"Digging the Grave", provavelmente a mais pop, não chega a atingir o status de "radiofônica", porém é muito boa. 4x4, bem rock n' roll e assoviável. A melhor participação de Trey como "músico de estúdio". Após "Digging..." toda experimentação é colocada de lado :( para ser recheada por um lado-b repleto de música pseudo-pop. A qualidade cai bastante.
Mais um momento Mr. Bungle, "Take This Bottle", tem estrutura de soundtrack. Defino como "boazinha", só.
"King for a Day", composta por todos os membros do FNM, é uma clara demonstração de enfado e desencontro dos músicos. O som é bom, mas é um pouco arrastado. Aqui fica a sensação de "disco gravado para cumprir contrato". E veja que não é o último!
"What a Day" e "The Last to Know" são duas dispensáveis que somente preenchem linguiça. Não sei o porquê, mas eu escuto (?!).
Meu CD terminava com "Just a Man". Muito parecida com as músicas anteriores, não chega a "salvar" o disco.
Todavia, o que se salva mesmo é o lado-A. Salva pela forma incomum que se apresenta. É bom, pois não é fácil, suave, bem tocado (na verdade é bastante amador). Mas traz desafios sonoros, dissonâncias, e incômodos. O saldo é positivo para quem não se contenta com o usual.
Aproveitem.
domingo, 15 de novembro de 2009
O Conde de Monte Cristo
O livro que eu li é "O conde de Monte Cristo" , que tem umas 1200 páginas e me custou quase dois meses de leitura para terminar, mas valeu cada segundo que eu passei com ele. Apesar de ser uma obra muito citada e cultuada, são poucos os que realmente leram o livro, já que a maioria se contenta com um dos muitos filmes baseados no romance. A história se passa na França no começo do século XIX, aonde o país está dividido entre de um lado os "realistas", que eram os defensores da monarquia recentemente restaurada por Luís XVII, irmão do decapitado Luis XVI (portanto cunhado de Maria Antonieta), e do outro lado os "Bonapartistas", os quais que eram em sua maioria herdeiros da revolução francesa, e partidários do imperador recém deposto.Ocorre que um jovem marinheiro, Edmon Dantès, inocentemente é acusado de ser um espião do "usurpador" Napoleão Bonaparte, é encarcerado em um calabouço por 14 anos, praticamente sem contato com nenhum outro ser humano, sem notícias do mundo, e desprovido de quaisquer esperanças de liberdade. Quando está prestes a morrer de autoinanição após anos de sofrimento, ele ganha pela primeira vez um companheiro de cela: Abbé Faria. O que se dá é que graças à ajuda recebida deste novo companheiro, Edmond consegue escapar da prisão, e recomeçar sua vida, se tornando um homem rico e influente na corte européia: O Conde da Ilha de Monte Cristo (uma terra inóspita que Edmond adquirira do governante da Itália central, que naquela época era nada a mais nada a menos o Papa).
Com sua liberdade, fortuna e conhecimento rapidamente adquiridos (graças à tutela de Abbé Faria durante sua estada na prisão), o conde investiga as pessoas que o envolveram nessa falsa conspiração que redundaram no seu aprisionamento, e parte para a se vingar de seus detratores, e recompensar os que nunca o abandonaram.O que ocorre é que nesse tempo, seus inimigos adquiriram grande fortuna e poder, e para os derrotar, o conde terá de usar toda sua malícia, diplomacia e perspicácia para atingir seus objetivos sem ser descoberto.
Para mim este livro é interessante pelo fato de envolver muitos fatos históricos, citar passagens de autores clássicos como Molière e Shakespeare, e de nos dar lições de esperança, perseverança e principalmente de luta pela nossa satisfação individual. Se você acredita em milagres ou castigos divinos, eu garanto que isso não falta nesta bela obra.
sábado, 5 de setembro de 2009
Rumo ao Farol - Virginia Woolf
É engraçado, ler Virginia Woolf é como escutar uma música do Grant Lee Buffalo ou ter um orgasmo tântrico. Em suma, não é pra qualquer um.
Depois que James Joyce lançou Ulisses, diversos autores começaram a beber na mesma fonte. Os romances saíram o mundo físico para adentrar à metafísica, a ontologia, o mundo de Platão. Penetraram nas ações, os pensamentos e aflições dos personagens, ao mesmo tempo em que movimentos corpóreos mantiveram-se estáticos. Assumo que no primeiro contato com estes romances penei deveras. Era difícil de entender pois não encontrava a "atuação", achava que tudo era muito parado e nada acontecia. É inacreditável como pude ser tão idiota. Mas tudo bem, sempre é tempo de aprender!
Virginia Woolf é a típica escritora padrão chavão. Sua mãe morrera quando tinha 13 anos , a meia irmã também, enfrentava penosas crises de depressão (principalmente para sua família), e, por fim, acabou por suicidar-se.
Apesar de "Rumo ao Farol" não tratar-se de sua maior obra (As Ondas), resolvi comentá-la, pois na minha singelíssima opinião, é a que mais se aproxima à intumescência joyciana.
Apesar de existirem três capítulos, a livro é dividido em duas partes (pré e pós guerra) e conta a trágica história da família Ramsay e seus agregados de férias numa ilha nas costas da Escócia.
Na primeira parte, somos apresentados a todos os personagens, que de alguma forma estão interligados àlguma forma de arte, há Lily Briscoe a pintora, Augustus Carmichael o poeta, Sr. Ramsay o filósofo e assim por adiante.
Nos primeiro capítulo (A Janela), A Sra. Ramsay oferece um jantar ao seus convidados. Toda tensão se espelha no ódio introvertido do filho por seu pai, a insegurança da pintora sobre sua nova obra, a certa neurose da Sra. Ramsay na perfeição e na sua onipresença em todos os acontecimentos.
No segundo e terceiro capítulos (O Tempo Passa & O Farol) nos deparamos com a morte da Sra. Ramsay, Prue, Andrew... e o restante do grupo volta ao mesmo local, para recolher suas memórias como se fossem os corpos.
Destarte, inventam o tal passeio ao farol e dessa forma a cor verde da grama da primeira parte transfigura-se agora no azul do mar e todos os conflitos arrostam-se aos pensamentos do grupo, consumindo-os e irradiando até o momento da chegada.
Assim sendo, Rumo ao Farol está recomendadíssimo.
Será uma experiência única.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Autor: Italo Calvino
Páginas: 160
Tradução: Diogo Mainardi
Le città invisibili, foi escrito por Italo Calvino. Nascido em Cuba, de pais italianos, sua família retornou à Itália logo após seu nascimento.
Formado em Letras, participou da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e foi membro do Partido Comunista Italiano até 1956, tendo se desfiliado em 1957. Sua carta de renúncia em 1957 ficou famosa.
Sua primeira obra foi Il sentiero dei nidi di ragno (br: A trilha dos ninhos de aranha), publicada em 1947. Uma de suas obras mais conhecidas é Le città invisibili (Brasil|br: As cidades invisíveis), de 1972, tendo como personagens Marco Polo e Kublai Khan (fonte Wikipédia).
Neste livro Marco Polo apresenta ao imperador mongol Kublai Khan, a imensidão do seu próprio reino, reino que está impedido de conhecer. Dá se a entender que devido às funções domésticas, administrativas e burocráticas, o navegador veneziano lhe serviria de olhos pois o neto de Genghis Khan tornara-se prisioneiro do seu próprio castelo.
De forma delicada e poética, Marco Polo descreve as 55 cidades por onde teria passado, agrupadas em 11 onze blocos: As Cidades e a Memória; As Cidades e o Desejo; As Cidades e os Símbolos...
Seu discurso serve de metáforas, palavras que se ramificam ao infinito que criam labirintos discursivos. A oralidade da conversa nunca é esquecida e, por momentos, pode-se crer que a realidade mais estranha é justamente aquela em que vivemos (fonte revista Bravo).
Minha opinião: Louvo quem tenha gostado. Achei parado demais, discursivo demais, metafórico demais, arrastado demais, em suma, chato demais! Não deu, tentei, tentei, mas cada página, cada palavra era uma vitória sobre o final. Juro que terminei, mas a que preço...
Parabéns ao Diogo Mainardi pela tradução. Deve ter sido um excelente execício de paciência.